Na poética dessas apropriações subjetivas, o Anexo surge em um diálogo traçado pelo vazio delimitado na forma dos pátios (existente e proposto) os quais permitem que ambas edificações – Casa Lacerda e Anexo – se olhem, se conectem, se relacionem. Assim como o Anexo recebe a Casa, ela própria se prepara para recebê-lo. O último platô da tijoleira é reposicionado no mesmo lugar a fim de criar o nivelamento necessário no ponto de junção entre os dois tempos. Nesse processo, optou-se por alterar a sua paginação, enfatizando o gesto projetual da sutil diferenciação entre o que é histórico e o que é contemporâneo.
O que resta do terreno é preenchido pelo volume com implantação e proporção que remetem à própria Casa Lacerda reforçando a apropriação da pré-existência como premissa. Nesse sentido, a relação da Casa com o morro não somente é preservada pela altura da nova edificação como também enfatizada pela criação de um eixo que rasga a forma. Tal elemento, assim como conduz o visitante diretamente até o pátio superior, marca a vista desde a janela da sala do relógio replicando a mesma sensação que Dona Cecília sentia quando se sentava a esperar D. Joaquim.








Essa icônica paisagem cultural da Lapa é, então, reenquadrada em uma perspectiva contemporânea desde a nova edificação e enfatizada pela singela, porém simbólica, presença do banco voltado ao pano de vidro na fachada frontal do anexo.

MUSEU CASA LACERDA
Ano de conclusão: 2019
Localização: Lapa, PR
Autoria: Bloco B, Giz de Terra Paisagismo, Terraço Paisagismo, Rodrigo Bastos





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