Desde o hall de entrada, a natureza se apresenta enquadrada pela moldura espessa de concreto aparente. E foi justamente o desejo por esse enquadramento, e pela relação direta entre interior e exterior, que orientou a escolha do concreto como principal material construtivo. Entre tantos sistemas analisados — alguns, inclusive, teoricamente mais “sustentáveis” — o concreto se destacou pela plasticidade formal, permitindo o grande vão que enquadra a vegetação. Sua textura, tonalidade e densidade simbólica também encantaram o cliente, que cresceu imerso na tradição da arquitetura moderna paulistana e tem como referência grandes nomes como Paulo Mendes da Rocha.
Sua escolha se deu pela plasticidade e pela capacidade de criar uma moldura robusta para a vegetação. Para compensar o alto impacto ambiental usual do concreto, o projeto inovou com a adoção de fôrmas plásticas reutilizáveis em um sistema de ciclo fechado, o que não só diminuiu significativamente a necessidade de madeira, mas também otimizou o tempo de construção, culminando em uma estética de linguagem brutalista.



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A filosofia da circularidade se manifesta também na funcionalidade diária da residência, através de sistemas como a ventilação cruzada, aprimorada por uma claraboia retrátil que opera como uma chaminé térmica para resfriamento passivo. Além disso, práticas conscientes, como a compostagem de orgânicos, o cultivo de uma horta doméstica e o uso responsável de recursos hídricos e energéticos, são incentivadas. A Casa Circular representa, em sua essência, uma visão de arquitetura como um sistema contínuo e dinâmico, onde os materiais e processos não se encerram, mas sim "retornam, circulam e permanecem."

CASA CIRCULAR
Ano de conclusão: 2024
Área bruta construída: 350m²
Localização: Florianópolis, SC
Créditos fotográficos: Lucas Reitz





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